15Abr
2014
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O século XIX

Os vitorianos conservaram a informalidade nos seus arranjos, conseguindo certas criações muito belas e românticas, como os que Fantin-Latour pintou. Utilizaram variadíssimas misturas de flores: foi durante o século XIX que se deu a maioria das introduções de plantas e os vitorianos criaram muitas espécies híbridas. Trouxeram para Inglaterra e Estados Unidos muitas plantas da China, África e América do Sul. Algumas — como os rododendros, azáleas, arbustos de peónias, rosas e gladíolos — tornaram-se as plantas de jardim preferidas. Outras — como as begónias, calceolárias e fúchsias — eram cultivadas em estufa e plantadas em canteiros nos meses de Verão. Dos cravos e das orelhas-de-urso conseguiam-se variedades muito cheias de fantasia, riscas e manchas. As rosas eram cruzadas para produzirem flores fabulosas, com um grande número de pétalas, e a maioria exalava também perfumes maravilhosos.

Mas as senhoras da época vitoriana tanto adoravam fabulosas misturas de flores como colocavam uma única espécie de flor num vaso, sozinha ou com alguns caules de folhagem interessante, por exemplo fetos, ervas ou juncos. Foi nesta altura que os grandes contrastes de cores foram empregados pela primeira vez e muitos destes esquemas são ainda hoje utilizados.

Na segunda metade do século XIX, publicaram-se muitos livros sobre arranjos florais. Continham ilustrações de decorações esmeradas e silvestres para jantares e ocasiões especiais, incluindo magníficas coroas, grinaldas e muitos centros de mesa ornamentais para aparadores ou mesas de jantar. O interesse pelos arranjos florais crescia também nos Estados Unidos, onde começavam a aparecer cores mais vivas e flores com novas formas, tais como dálias e chagas, azáleas e camélias. Numa altura em que existiam poucas actividades para ocupações dos tempos livres fora de casa a que as mulheres tivessem acesso, as revistas femininas continham muitos conselhos sobre como cuidar e dispor flores cortadas. Cedo se tornou uma norma ter arranjos colocados em todos os pontos da casa.

No final do século, os arranjos tornaram-se tema para os impressionistas, desde Van Gogh, com os Girassóis, e Bonnard, com um bombardeamento de cores ricas, a Manet e Monet. Retrataram flores de um modo bastante diferente, sugerindo o perfume, a cor e a disposição de arranjos em vez de pintarem representações realistas.

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